Queda em dólar dos fertilizantes deve trazer boa oportunidade de compra neste início de ano, avalia analista

A queda internacional nos preços dos principais insumos, especialmente os fertilizantes, deve trazer um cenário positivo para a antecipação das compras no primeiro semestre deste ano. Em dólares os fertilizantes estão de 20% a 25% mais baratos que o ano passado, o fosfato retraiu cerca de 20% de novembro para cá, enquanto que a uréia caiu 30% e o KCL regrediu 15%.

Atualmente a necessidade de importação do Brasil para esses produtos corresponde a 70% do que é utilizado no campo. Esse contexto, aliado a retração em dólares e a liberação do pré-custeio, diferente do que ocorreu no ano passado, compõe um ambiente favorável para a aquisição dos insumos ainda neste primeiro semestre de 2016, é avaliação feita pelo consultor de mercado Carlos Cogo.

A antecipação dos financiamentos garante ao produtor melhor capacidade de planejamento de suas compras e contribui para o incremento das vendas de sementes, fertilizantes e defensivos, produzindo reflexos positivos na cadeia produtiva.

Para Cogo não é esperado, no entanto, um aumento nas compras ou possibilidade de crescimento na produção, sendo apenas uma oportunidade de aquisição desses produtos a menores valores.

"Quem comprar até março ainda vai pegar o dólar a R$ 4,00. Depois disso, poderemos ter novas altas na taxa de câmbio que certamente serão repassadas aos insumos", explica o analista.

Além disso, a compra neste inicio de ano também traz benefícios quanto ao frete. Tradicionalmente os produtores utilizam a estratégia de aproveitamento do frete de entrega da soja para retornar com insumos, diluindo assim, os custos logísticos. Optar pela compra no segundo semestre, poderá esbarrar em problemas e encarecimentos desse frete.

Entre as principais causas da retração dos insumos no mercado internacional está a queda nos preços do petróleo. Em janeiro o barril atingiu a mínima de quase 12 anos, e após disso tem variado seus negócios entre US$ 27 a US$ 35.

Além disso, os preços dos fertilizantes à base de fosfato, potássio e nitrogênio caíram mais de 30% nos últimos meses, após a redução da demanda sazonal, que elevou os estoques mundiais. "Temos ainda a questão do Irã, que com o fim dos sansões, entrará neste mercado com grandes reservas e aumentará a disputa pela demanda", destaca Cogo.

Para os demais produtos é preciso considerar também a queda no preço do frete marítimo. O mercado enfrenta a maior desaceleração desde meados dos anos 1980, com os baixos preços do petróleo e retração da demanda mundial.

Cogo lembra ainda que historicamente a cotação dos insumos inclina-se a acompanhar os preços das commodities, que também estão em queda nas bolsas internacionais.

Para o diretor de Supply Chain da Yara - maior empresa de fertilizantes do Brasil -, Carlos Heredia, devido ao fato de mais de 70% da matéria-prima utilizada para a fabricação de fertilizantes no país dependerem de importação, “o mercado brasileiro pratica preços alinhados ao mercado internacional, respondendo rapidamente a variações de preços dos principais componentes”, pondera.

Outro fator, segundo a empresa, que torna a variação de preços mais ágil é que o mercado brasileiro opera com alto grau de concorrência, com várias opções de fornecimento por região, garantindo a competitividade das ofertas.

O analista da Custo do Agro, Eduardo Lima Porto, ressalta no entanto que a confirmação desse cenário dependerá do volume de estoque das empresas e revendas neste inicio do ano. Como as vendas em 2015 ficaram abaixo das expectativas é possível que as revendas ainda possuam reserva de produtos comprados com um dólar elevado no ano passado e preços internacionais maiores.

“Concordo com essa posição de que os preços das principais matérias primas de fertilizantes apresentaram uma queda nominal em dólares nos últimos 6 meses, com destaque para o Cloreto de Potássio que foi o vilão do setor em 2008, chegando a custar perto de USD 2.000,00/ton no exterior, hoje está na faixa de USD 270,00 a USD 280,00/ton. A Uréia está mais  barata por conta dos baixos preços do Gás Natural e o MAP/DAP também estão mais baratos que no mesmo período do ano passado. No entanto as empresas que importaram a preços altos e que eventualmente ficaram com estoques represados, irão resistir a repassar a queda dos preços que se verifica lá fora”, explica Porto.

A recuperação das vendas de fertilizantes no país, contudo, não deverá ocorrer no curto prazo, é o que projeta a Yara. A entrega total de fertilizantes aos produtores rurais brasileiros recuou em 2015, para 30,2 milhões de toneladas, abaixo do volume recorde de 32,2 milhões de toneladas de 2014, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), e as expectativas do setor é manutenção nestes níveis.

Crédito Pré-custeio

De acordo com o Banco do Brasil, desde o inicio do mês os produtores rurais interessados em contratar crédito de pré-custeio para a safra 2016/2017 terão acesso a oferta de R$ 10 bilhões em financiamento a taxas controladas para a aquisição antecipada de insumos.

Os recursos estarão disponíveis aos médios produtores (faturamento de até R$ 1,6 milhão ao ano) por meio do Programa Nacional de Apoio aos Médios Produtores Rurais (Pronamp) com taxas de 7,75% ao ano até o teto de R$ 710 mil. Os demais produtores acessam o crédito com encargos de 8,75% a.a. até o teto de R$ 1,2 milhão por beneficiário.

A disponibilidade do crédito ainda no inicio do ano, trará então as condições para que o produtor possa aproveitar o bom momento de aquisição dos fertilizantes.

Fonte: Notícias Agrícolas

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